Geriatria pode evitar internações preveníveis? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela
Carmen Bellori Por Carmen Bellori
5 Min de leitura

Internações hospitalares podem ser necessárias quando um quadro de saúde exige cuidados que não podem ser realizados fora do hospital. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, observa que, em alguns casos, uma piora que termina em emergência pode estar relacionada a problemas identificáveis anteriormente, como quedas, desidratação, descompensação de doenças crônicas ou uso inadequado de medicamentos. 

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Por que alguns problemas poderiam ser identificados antes da internação?

Muitas situações que levam idosos ao hospital não surgem de maneira completamente inesperada. Alterações na mobilidade, perda de peso, confusão, fraqueza, dificuldades para realizar atividades cotidianas ou mudanças no comportamento podem aparecer antes de uma piora mais grave. Perceber essas mudanças na rotina pode ser importante para investigar o que está acontecendo antes que o quadro comprometa ainda mais a saúde.

Quando esses sinais são percebidos durante o acompanhamento, existe a possibilidade de investigar suas causas e avaliar medidas de cuidado. Como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, isso não significa que toda internação possa ser evitada, mas permite agir diante de determinados riscos antes que eles evoluam para uma situação de emergência. A identificação precoce também pode ajudar a definir quando é necessário intensificar o acompanhamento ou buscar atendimento com maior rapidez.

A geriatria contribui para esse acompanhamento porque considera diferentes aspectos da saúde simultaneamente. Em vez de observar apenas uma doença isolada, a avaliação pode envolver funcionalidade, medicamentos, cognição, alimentação e condições sociais. Essa abordagem permite relacionar diferentes fatores que, combinados, podem aumentar a vulnerabilidade do idoso e exigir atenção específica.

Como o acompanhamento pode reduzir riscos? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Um dos pontos importantes está na revisão das condições que tornam o idoso mais vulnerável. Doenças crônicas mal controladas, por exemplo, podem exigir ajustes no acompanhamento. Da mesma forma, dificuldades de locomoção podem aumentar o risco de quedas, enquanto alterações cognitivas podem dificultar o uso correto de medicamentos. Reconhecer esses fatores permite observar com maior atenção situações que podem comprometer a segurança e a independência do paciente.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

A identificação desses fatores permite estabelecer prioridades de cuidado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Um idoso independente pode precisar de uma abordagem diferente daquela indicada para alguém que já necessita de ajuda em atividades diárias. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essa diferenciação evita que todos os pacientes sejam avaliados da mesma maneira e ajuda a direcionar o acompanhamento para os riscos mais relevantes em cada caso.

O uso de medicamentos também merece atenção?

Sim. Muitos idosos convivem com várias doenças e, consequentemente, utilizam diferentes medicamentos. Quanto maior a quantidade de remédios, maior pode ser a necessidade de acompanhamento para verificar horários, doses, combinações e possíveis efeitos adversos. A organização desse tratamento é especialmente importante quando diferentes prescrições são feitas por profissionais que acompanham condições distintas.

Confusão sobre os horários, duplicidade de medicamentos ou alterações provocadas por determinados tratamentos podem comprometer a segurança do paciente. Por isso, revisar periodicamente a prescrição e entender como os medicamentos estão sendo utilizados faz parte de um cuidado mais organizado. Essa revisão também permite identificar dificuldades que podem interferir na continuidade correta do tratamento, informa o Doutor Yuri Silva Portela.

Além disso, a avaliação precisa considerar a realidade do paciente. Uma prescrição pode estar adequada do ponto de vista clínico, mas tornar-se difícil de seguir quando a pessoa apresenta problemas de memória, baixa visão ou depende de terceiros para organizar a rotina. Nessas situações, adaptar a forma de organizar os medicamentos pode ser tão importante quanto definir corretamente o tratamento.

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