Volume negociado no mercado secundário avança e reforça o papel da escrituração eletrônica na segurança jurídica e na liquidez das emissões corporativas.
O mercado brasileiro de debêntures vive um momento de sinais contrastantes. As emissões primárias recuaram no primeiro semestre de 2026, somando R$ 169,8 bilhões ante R$ 193 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). Ao mesmo tempo, o volume negociado no mercado secundário avançou 20,6% e atingiu R$ 494,6 bilhões no período. O descompasso entre os dois indicadores revela uma mudança estrutural: as debêntures deixaram de ser apenas um instrumento de captação pontual para se consolidar como ativo de portfólio, negociado com liquidez crescente por gestores e investidores institucionais. Esse movimento amplia a relevância da escrituração eletrônica, mecanismo responsável por garantir o controle de titularidade, a rastreabilidade das negociações e a segurança jurídica de cada operação, atividade exercida por instituições habilitadas como a ID CTVM.
Infraestrutura concentra parte relevante dos recursos captados
Levantamento da ANBIMA mostra que, no primeiro semestre de 2026, os recursos captados por meio de debêntures foram destinados principalmente a investimentos em infraestrutura, que responderam por 43,1% do total, seguidos por gestão ordinária dos negócios, com 19,2%, e pagamento de dívidas, com 15,2%. A concentração em projetos de infraestrutura reforça a importância de estruturas capazes de acompanhar operações de longo prazo, com múltiplos vencimentos, amortizações programadas e, em muitos casos, garantias reais vinculadas aos ativos financiados.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o crescimento do mercado secundário é um indicador de maturidade que exige atenção redobrada dos agentes responsáveis pela escrituração dos títulos.
“Quando o secundário cresce mais rápido que o primário, significa que o investidor está usando a debênture como parte ativa da carteira, comprando e vendendo com frequência. Isso só é possível quando existe uma estrutura de escrituração confiável, capaz de refletir a titularidade em tempo real a cada negociação”, avalia o executivo.
Da emissão ao mercado secundário, o papel do escriturador
A escrituração eletrônica substituiu progressivamente os registros físicos de titularidade, permitindo que cada debênture emitida seja identificada, rastreada e transferida de forma digital, sem risco de duplicidade documental. A função é especialmente relevante em operações de renda fixa privada, nas quais a segurança sobre quem efetivamente detém o título impacta diretamente o pagamento de juros, amortizações e eventuais garantias. Diferentemente da custódia, que responde pela guarda e movimentação dos ativos, a escrituração cuida especificamente do registro de quem é o titular de cada papel a cada momento, função que se torna mais complexa à medida que a frequência de negociação aumenta.
A ID CTVM é habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela ANBIMA para atuar como escrituradora, custodiante qualificada e controladora de ativos, funções que, somadas, compõem a retaguarda técnica necessária para sustentar o ciclo completo de uma emissão, da estruturação inicial até o vencimento do título. A companhia soma mais de R$ 53,48 bilhões em ativos sob administração e custódia, distribuídos entre fundos estruturados e operações de renda fixa privada. A habilitação para representação de investidores não residentes também amplia a capacidade da instituição de atender emissores que buscam diversificar sua base de investidores com capital estrangeiro.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de sofisticação da renda fixa privada brasileira, que já inclui notas comerciais, certificados de recebíveis e outras estruturas escriturais negociadas em ambiente eletrônico. Para emissores, essa padronização reduz custos operacionais e amplia o universo de investidores dispostos a alocar recursos em dívida corporativa. Para gestores de fundos, a possibilidade de negociar debêntures com a mesma agilidade de outros ativos listados favorece estratégias mais dinâmicas de alocação, em linha com a maturidade que o mercado secundário vem demonstrando ao longo dos últimos semestres.
Tecnologia sustenta liquidez crescente no secundário
Para acompanhar o aumento do volume negociado, a infraestrutura tecnológica precisa processar liquidações, atualizações de titularidade e eventos de pagamento em ritmo compatível com o das negociações. A ID CTVM opera com plataforma proprietária integrada por APIs, o que permite conciliar automaticamente as movimentações financeiras vinculadas a cada título, eliminando represamentos no processamento de juros e amortizações e reduzindo o intervalo entre a negociação e a efetiva liquidação. A instituição atende atualmente mais de 9 mil contas operacionais ativas ligadas a fundos e emissões sob sua administração.
“A liquidez do mercado secundário depende de uma retaguarda que praticamente não aparece para o investidor final, mas que é decisiva para que a negociação de hoje seja liquidada com segurança amanhã”, pondera Balassiano.
Próxima fase depende de padronização e escala
A expectativa de participantes do mercado é que o crescimento do volume negociado no secundário continue nos próximos semestres, à medida que mais gestores incorporam debêntures escriturais como parte estrutural de suas carteiras de renda fixa. Esse cenário deve exigir dos agentes de escrituração e custódia capacidade de operar em maior escala, mantendo o mesmo padrão de precisão e conformidade regulatória que sustenta a confiança de emissores e investidores no instrumento. Para a ID CTVM, a combinação entre tecnologia proprietária e habilitação regulatória ampla é o que permite acompanhar essa transição sem perder rigor técnico.
