Taiza Tosatt Eleoterio discute como proporcionar um apoio genuíno a uma mulher que optou por se distanciar de um relacionamento abusivo

Taiza Tosatt Eleoterio
Diego Velázquez Por Diego Velázquez
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Taiza Tosatt Eleoterio, psicanalista dedicada à saúde mental e às relações familiares, lembra que o momento em que uma mulher decide se afastar de um relacionamento abusivo é delicado e exige cuidado de quem está por perto. O apoio oferecido nessa fase pode fortalecer sua decisão ou, sem intenção, dificultar o processo. Saber como ajudar de verdade faz diferença na trajetória dela, porque transforma o desejo de acolher em um suporte concreto e respeitoso.

Muitas vezes, quem deseja ajudar não sabe exatamente o que fazer. O receio de falar a coisa errada, de invadir o espaço da outra pessoa ou de piorar a situação pode gerar uma espécie de paralisia. O resultado é que pessoas dispostas a apoiar acabam se afastando, justamente quando a presença seria mais necessária. Por isso, entender alguns princípios de acolhimento ajuda a oferecer um apoio firme, que respeita a mulher como protagonista da própria história.

Escutar sem julgar

O primeiro passo é oferecer uma escuta livre de julgamento. A mulher que decide se afastar do abuso costuma carregar dúvidas, medos e, às vezes, culpa por aquilo que viveu. Quando encontra alguém que a ouve sem cobrar explicações nem questionar suas escolhas anteriores, ela se sente acolhida de verdade. Essa escuta cria um espaço seguro no qual ela pode se expressar com liberdade, sem o peso de estar sendo avaliada.

Taiza Tosatt Eleoterio analisa que julgar a mulher por ter permanecido na relação só aumenta a vergonha e o isolamento. Comentários que apontam o que ela deveria ter feito antes, ainda que bem-intencionados, costumam reforçar a sensação de fracasso. Em vez disso, vale acolher sua experiência como legítima e reconhecer a coragem envolvida na decisão. Frases que demonstram apoio, sem repreender, ajudam a mulher a sentir que tem ao lado alguém em quem confiar durante esse processo difícil.

Respeitar o tempo e as decisões

Cada mulher tem seu próprio ritmo, e respeitar esse tempo é essencial. O afastamento de uma relação abusiva costuma envolver idas e vindas, avanços e recuos, e isso não significa fraqueza nem falta de vontade. Esses movimentos fazem parte de um processo complexo, no qual emoções, medos e vínculos antigos disputam espaço. Pressionar por decisões rápidas pode gerar afastamento, justamente no momento em que a presença de apoio é mais importante.

A leitura psicanalítica ajuda a compreender que mudanças profundas levam tempo e não acontecem por simples força de vontade. Taiza Tosatt Eleoterio reforça que oferecer apoio significa caminhar ao lado, e não decidir pela outra pessoa. Tentar conduzir as escolhas da mulher, mesmo com boas intenções, acaba repetindo uma dinâmica de controle que ela talvez esteja tentando deixar para trás. Quando percebe que suas decisões são respeitadas, ela ganha confiança para conduzir o próprio processo, sentindo-se sujeito da própria história.

Oferecer apoio prático e informações

Além do acolhimento emocional, o apoio prático tem grande valor nesse momento. Ajudar a mulher a conhecer redes de apoio, serviços de assistência e locais de acolhimento amplia suas possibilidades reais de seguir adiante. Oferecer ajuda concreta, como cuidar das crianças em um momento necessário, acompanhá-la em situações delicadas ou auxiliar com tarefas do dia a dia, alivia parte do peso que ela costuma carregar sozinha.

Taiza Tosatt Eleoterio destaca que esse apoio deve ser oferecido com cuidado, sem impor caminhos. Disponibilizar informações e colocar-se à disposição é diferente de tomar decisões no lugar dela. A ideia é ampliar as escolhas da mulher, não reduzi-las a um único caminho que pareça certo a quem está de fora. Quando ela tem acesso a recursos e sabe que pode contar com ajuda prática, enxerga com mais clareza as opções disponíveis e se sente mais segura para dar os próximos passos.

Estar presente de forma constante

A presença constante talvez seja a forma mais valiosa de apoio. Manter contato, demonstrar disponibilidade e lembrar à mulher que ela não está sozinha cria um vínculo de confiança ao longo do tempo. Esse acompanhamento contínuo costuma ser mais importante do que grandes gestos isolados, porque sustenta a pessoa no dia a dia, especialmente nos momentos em que a insegurança e a solidão pesam mais.

Taiza Tosatt Eleoterio conclui que o apoio verdadeiro não tem pressa nem cobra resultados. Estar disponível, respeitar o tempo da mulher e acolher sua experiência são atitudes que fortalecem sua autonomia em vez de substituí-la. Quem oferece esse tipo de presença contribui para que ela encontre, no seu próprio ritmo, a força necessária para construir uma vida mais segura. O acolhimento paciente, somado quando possível ao acompanhamento profissional, ajuda a transformar a decisão de se afastar em um recomeço sustentável.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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