Preservada em cinco vales das Dolomitas, Antonella Giancoli detalha a cultura ladina que a Benarrivati incorpora aos roteiros pela região

Antonella Amaral Giancoli
Carmen Bellori Por Carmen Bellori
4 Min de leitura

Falada em cinco vales entre as províncias de Bolzano, Trento e Belluno, a língua ladina se desenvolveu a partir do contato do latim vulgar com idiomas das populações alpinas e permanece viva em diferentes variantes locais

Antes de qualquer trilha ou teleférico, existe uma camada das Dolomitas que muitos roteiros de viagem deixam em segundo plano: uma língua própria, protegida oficialmente na Itália como parte de uma minoria linguística histórica e falada nos cinco principais vales ladinos da região.

Para Antonella Giancoli, à frente da curadoria italiana da Benarrivati, conhecer esse aspecto muda a forma como uma família enxerga as Dolomitas. A paisagem continua sendo central, mas passa a dividir espaço com uma história cultural percebida nos nomes dos lugares, na língua falada entre os moradores, nas tradições locais e até nas diferenças que existem de um vale para outro.

Uma língua que nasceu do encontro entre o latim e os povos alpinos

Quando os romanos conquistaram a região alpina, por volta do século I a.C., o latim vulgar levado por soldados, comerciantes e administradores entrou em contato com as línguas das populações locais, entre elas grupos tradicionalmente identificados como réticos, nóricos e celtas. Desse processo, ao longo do tempo, desenvolveu-se o ladino, pertencente ao grupo das línguas reto-românicas.

O idioma permanece vivo em cinco vales principais: Val Gardena, Val Badia, Val di Fassa, Livinallongo e Ampezzo, distribuídos pelas províncias de Bolzano, Trento e Belluno. Cada área preserva variantes próprias de pronúncia e vocabulário.

Por que ela inclui essa camada nos roteiros pela região

Para Antonella, apresentar a cultura ladina evita que a família reduza as Dolomitas a um cenário de trilhas e refúgios, revelando uma história local que continua presente no cotidiano.

“As pessoas chegam pensando principalmente na paisagem das Dolomitas e se surpreendem ao descobrir uma língua e uma cultura próprias, com diferenças inclusive entre os vales. Gosto de mostrar as placas em ladino, contar histórias como a do Reino dos Fanes e explicar como essas tradições conseguiram permanecer vivas em diferentes comunidades da região”, diz Antonella Giancoli.

O Reino dos Fanes faz parte da tradição lendária ladina e chegou até a atualidade por meio de narrativas orais posteriormente reunidas e registradas por Karl Felix Wolff.

Uma herança que aparece nos detalhes do dia a dia

Essa presença se manifesta hoje na sinalização, nos meios de comunicação, em iniciativas culturais, festas locais e na própria gastronomia dos vales. As formas de proteção e de uso público do idioma variam de acordo com a província e o município.

Para a curadoria da Benarrivati, incluir esses detalhes no roteiro, ainda que de forma discreta, transforma paradas comuns, como uma refeição em um refúgio de montanha, em oportunidades de compreender melhor a vida local.

Reconhecer esse aspecto das Dolomitas, e não apenas sua paisagem alpina, é o tipo de camada que Antonella considera importante para que uma família compreenda melhor a região.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

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