Por que cada vez mais pessoas escolhem viajar sozinhas?

Daugliesi Giacomasi Souza
Diego Velázquez Por Diego Velázquez
5 Min de leitura

Poucos comportamentos mudaram tanto na última década quanto a forma de viajar, e a ascensão da viagem solo ilustra bem esse movimento. Diante desse cenário, Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, observa esse tipo de escolha entre viajantes de diferentes idades e perfis, que hoje encaram partir sozinho como decisão natural, e não mais como exceção. Levantamentos recentes do setor de turismo mostram que 59% dos viajantes já fizeram ao menos uma viagem solo nos últimos cinco anos, com os millennials à frente desse comportamento, respondendo por mais da metade dos casos registrados. 

Neste artigo, você vai entender por que a viagem solo deixou de ser vista como algo incomum e o que motiva tanta gente a explorar o mundo sem companhia.

O crescimento das viagens solo pelo mundo

O número de pessoas que optam por viajar sem acompanhantes cresceu de forma consistente nos últimos anos, impulsionado por mudanças na forma como cada geração organiza tempo, dinheiro e prioridades pessoais. Plataformas de hospedagem e companhias aéreas já adaptaram parte de seus serviços para esse público, oferecendo quartos individuais, passeios em grupo formados no destino e políticas de segurança específicas para quem viaja só.

Dentre o que apresenta Daugliesi Giacomasi Souza, esse crescimento reflete também uma mudança de percepção social em torno do tema, já que viajar sozinho deixou de carregar o estigma de solidão ou tristeza associado a décadas anteriores. Passageiros de diferentes faixas etárias, incluindo aposentados e famílias monoparentais, hoje relatam a experiência como escolha consciente, e não como consequência de falta de opção.

Da busca por isolamento à vontade de socializar sozinho

Um dos dados mais interessantes sobre o comportamento recente do viajante solo é que a experiência raramente significa isolamento completo do início ao fim da viagem. Pesquisas do setor indicam que a maioria dos brasileiros já fez ou consideraria fazer uma viagem com o objetivo específico de conhecer pessoas novas pelo caminho, combinando autonomia de roteiro com abertura para interações espontâneas.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Tal como sinaliza Daugliesi Giacomasi Souza, esse comportamento aparece com ainda mais força entre os mais jovens, com a grande maioria da Geração Z e dos Millennials afirmando já ter feito ou considerado esse tipo de viagem social e solo ao mesmo tempo. Hospedagens compartilhadas, passeios guiados em pequenos grupos e aplicativos de conexão entre viajantes ajudam a viabilizar esse equilíbrio entre liberdade individual e contato humano ao longo do roteiro.

De comportamento incomum a escolha valorizada

Até pouco tempo atrás, viajar sozinho carregava certo estranhamento social, sendo frequentemente associado a rupturas pessoais, término de relacionamentos ou momentos de crise na vida de quem tomava essa decisão. Esse olhar mudou de forma considerável, e hoje a mesma atitude tende a ser interpretada como sinal de maturidade, coragem e capacidade de organizar a própria experiência sem depender de terceiros.

Conforme explica Daugliesi Giacomasi Souza, essa mudança de percepção também aparece refletida na forma como o mercado de turismo se comunica com esse público, tratando a viagem solo como produto estratégico, e não mais como nicho secundário. Roteiros pensados especificamente para quem viaja só, incluindo opções de segurança voltadas a mulheres, mostram como o setor passou a reconhecer o valor desse perfil de viajante.

Por que viajar sozinho passou a significar autoconhecimento?

Grande parte da motivação por trás da viagem solo está ligada à possibilidade de organizar cada etapa do roteiro de acordo com interesses pessoais, sem a necessidade de negociar preferências com outras pessoas. Essa liberdade de ritmo permite explorar destinos com mais profundidade, testar limites pessoais e tomar decisões cotidianas, desde a escolha de um restaurante até a definição de um passeio, com total autonomia.

À luz do que expõe Daugliesi Giacomasi Souza, esse tipo de experiência costuma gerar aprendizados que dificilmente aparecem em viagens acompanhadas, já que o viajante solo lida diretamente com imprevistos e decisões que normalmente seriam compartilhadas. Esse contato mais intenso com o próprio julgamento e com culturas diferentes explica por que tantas pessoas descrevem a viagem solo como uma experiência transformadora, e não apenas como um passeio turístico comum. A viagem solo consolidou-se como uma forma legítima de explorar o mundo, unindo autonomia, segurança planejada e abertura para novas conexões ao longo do caminho.

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