Da dor operacional ao produto: o método de P&D que orienta as decisões da Macofren

Carmen Bellori Por Carmen Bellori
6 Min de leitura

Antes de qualquer equipamento sair do papel, a empresa segue uma lógica que se repete em cada nova frente: partir do problema real de quem opera no campo, não de uma tecnologia pronta em busca de aplicação.

Boa parte das empresas de tecnologia parte de uma pergunta do tipo “o que essa tecnologia pode fazer?”. A Macofren Tecnologias, fundada em 2013 em Brasília, inverteu essa lógica desde o início: sua cultura de P&D nasceu perguntando “qual problema, na rotina de quem trabalha em campo, ainda não tem solução boa o suficiente?”.

Esse método aparece de forma consistente em cada produto que a empresa desenvolveu ao longo de 14 anos. Não é um discurso institucional solto; é possível rastrear, produto a produto, a mesma sequência de decisões, sustentada pelo sistema de gestão certificado ISO 9001:2015.

Três passos que se repetem

O primeiro passo é identificar a dor operacional, geralmente ligada a tempo de resposta, custo ou risco regulatório. No setor de combustíveis, o problema era a demora e o custo de validar cada lote em laboratório externo enquanto caminhões esperavam. Na cadeia leiteira, era a dificuldade de laticínios em comprovar investimento em qualidade para acessar benefícios fiscais previstos no Programa Mais Leite Saudável.

O segundo passo é traduzir o método analítico correto para uma rotina simples, operável por alguém sem formação técnica. Foi essa exigência que levou ao desenvolvimento de kits de leitura visual para o setor de combustíveis, e depois a um equipamento automatizado, o MetaCan Systems, para o setor de bebidas.

O terceiro passo é documentar o processo de forma que ele possa ser repetido em diferentes locais e, quando possível, conectado a um sistema digital que transforme o resultado do teste em dado de gestão.

“A engenharia foi pensada para a dinâmica do campo: operação simples, materiais organizados e resposta em tempo compatível com o recebimento da carga. O objetivo é permitir que a empresa tome uma decisão antes de incorporar o produto ao estoque”, explica Renato Santana, fundador e CEO da Macofren Tecnologias. A mesma lógica de decisão orienta o método de P&D como um todo: cada passo existe para dar a quem opera no campo uma base concreta antes de agir.

Um método, produtos diferentes

Essa sequência se repete na Linha Fix, usada na cadeia leiteira, no Arla Check LAB, voltado a frotas, e no MetaCan Systems, para o setor de bebidas. Em todos os casos, a empresa não partiu de uma tecnologia genérica em busca de mercado. Partiu de um operador específico com um problema específico e construiu a solução de dentro para fora.

Para quem acompanha o setor de deep tech no Brasil, essa disciplina metodológica costuma ser mais determinante para o sucesso de longo prazo do que qualquer produto isolado. Tecnologias mudam; o método de identificar o problema certo antes de desenvolver a solução é o que sustenta uma trajetória de 14 anos em setores tão distintos quanto combustíveis, bebidas e laticínios.

Perguntas frequentes

Qual é o método de P&D da Macofren?
Um processo de três passos: identificar a dor operacional real de quem trabalha em campo, traduzir o método analítico correto em uma rotina simples de operar e documentar o processo para que possa ser repetido e, quando possível, digitalizado.

Esse método é usado em todos os produtos da empresa?
Sim. Ele orientou o desenvolvimento do Kit Metan-OHL, do Arla Check LAB, da Linha Fix e do MetaCan Systems, cada um em um setor diferente.

Por que a empresa não desenvolve tecnologia genérica para depois buscar mercado?
Porque a experiência da companhia mostrou que partir de um problema operacional específico reduz o risco de criar um produto tecnicamente correto, mas sem adoção prática no dia a dia de quem precisaria usá-lo.

Como esse método se aplicou ao setor de laticínios?
A dificuldade de laticínios em comprovar investimento em qualidade para acessar benefícios fiscais do Programa Mais Leite Saudável foi o ponto de partida que levou ao desenvolvimento de soluções voltadas à cadeia leiteira.

Esse método muda conforme o setor?
A sequência de passos é a mesma, mas o problema de partida e a solução final variam totalmente entre combustíveis, bebidas e laticínios, o que exige adaptação de cada solução ao contexto regulatório e operacional específico.

Quem somos

Empresa de base tecnológica de Brasília, fundada em 2013 e certificada ISO 9001:2015, dedicada a soluções analíticas para controle de qualidade. Sua trajetória de 14 anos foi construída setor a setor, sempre a partir de problemas reais enfrentados por quem opera no campo.
www.macofren.com | [email protected] | @macofren.tec

Compartilhe este artigo